RS tem média de 3,9 estupros por dia em dois anos. Em 2016, foram denunciados 1.425 casos no estado, diz levantamento. Números nem sempre refletem a realidade porque muitas não denunciam.

Casos de estupro no estado

2015 – 1.426
2016 – 1.425

TOTAL – 2.851
MÉDIA – 3,9 casos por dia

Entre os números da violência no Rio Grande do Sul apresentados pela Secretaria da Segurança Pública na quinta-feira (26), um é particularmente assustador: Acontecem quase 1,5 mil estupros por ano no estado. Em 2015 foram denunciadas 1.426 ocorrências do tipo. No ano passado, o número foi de 1.425.

Ou seja, nos últimos dois anos, a polícia registrou 2.851 estupros. É uma média de 3,9 casos por dia. E um a cada seis horas, durante dois anos seguidos. Os números são oficiais, mas nem sempre representam a realidade. Isso porque a maioria das vítimas ainda tem medo de denunciar.

Dentro de cada um dos inquéritos abertos na Delegacia de Polícia de Porto Alegre, há histórias que revoltam.

“A vítima foi estuprada por diversas vezes pelo acusado, seu pai biológico”, diz o trecho de um deles. “O acusado agarrou a vítima e tentou beijá-la a força”, consta em outro documento.

“Aos 13 anos, o pai lhe levou para um hotel e lá teve a primeira relação sexual. O pai lhe falava que era normal os pais terem relações sexuais com as filhas”, está escrito em mais um deles.

Para a delegada Clarissa Demartini, muitas mulheres sofrem caladas e não conseguem denunciar os crimes a que são submetidas.

O crime de estupro eu acredito que seja uma das maiores violências físicas e psicológicas à integridade da vitima, então muitas vezes denunciar é reviver tudo aquilo”, observa. A delegada ressalta: o estupro vai além de um ato sexual forçado. Na maioria das vezes, o agressor é o marido, o namorado ou um parente próximo.

“O estupro é o que acontece independente da relação que a vítima estabelece com o agressor, então a gente vai ter estupro entre pessoas estanhas e o estupro também vai acontecer dentro de relações que são afetivas e que são consentidas”

“Um casal onde, por exemplo, o marido força a mulher a ter relações sexuais também é estupro. O que a gente precisa para configurar o estupro é a negativa de uma das partes”, explica.

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